quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

'Você não está louca', disse IA a mulher que achava falar com irmão morto…

Uma profissional de saúde foi internada em um hospital psiquiátrico nos Estados Unidos após acreditar que conversava pelo ChatGPT com o irmão morto.

O que aconteceu

O surto ocorreu após uma rotina de exaustão e uso intenso da inteligência artificial. A mulher de 26 anos, que não tinha histórico de problemas mentais, buscou a ferramenta da OpenAI depois de um plantão de 36 horas.

A conversa começou como uma curiosidade sobre "rastros digitais" do irmão. O rapaz, que era engenheiro de software, morreu há três anos, e a busca evoluiu para uma crise psicótica durante uma noite de insônia.

O sistema de inteligência artificial chegou a validar os delírios da paciente. A ferramenta escreveu frases como "Você não está louca" e sugeriu que ela estava perto de descobrir algo novo, alimentando a narrativa da mulher.

A paciente chegou ao hospital com fala acelerada, confusão mental e muita agitação. O caso foi detalhado em um relatório liderado por Joseph Pierre, pesquisador da Universidade da Califórnia em São Francisco.

O papel da tecnologia

A paciente pediu que o chatbot usasse uma "energia de realismo mágico" para encontrar o irmão. Embora o sistema tenha dito inicialmente que não poderia substituir alguém morto, ele acabou mencionando ferramentas de "ressurreição digital".

Especialistas explicam que a IA tende a refletir e ampliar as ideias do próprio usuário. Segundo Amandeep Jutla, neuropsiquiatra da Universidade de Columbia, a tecnologia não tem noção da realidade e atua como um espelho.

A interação com esses produtos é comparada a um diálogo interno complexo. "Ao conversar com esses produtos, você está conversando consigo mesmo de forma elaborada", disse Amandeep Jutla em entrevista ao site Live Science.

Tratamento e recaída

Os médicos diagnosticaram a mulher com psicose não especificada. O tratamento inicial com medicamentos antipsicóticos funcionou bem, e ela recebeu alta do hospital após uma semana de internação.

Os sintomas voltaram três meses depois, após outra noite sem dormir. A paciente voltou a interagir com a IA, a quem apelidou de "Alfred", e precisou ser internada novamente imediatamente.

A inteligência artificial funcionou como um gatilho em um cenário de vulnerabilidade. Para os especialistas, embora a tecnologia não tenha causado a doença diretamente, ela amplificou o problema emocional e físico da paciente.

Fonte: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/01/21/voce-nao-esta-louca-disse-ia-a-mulher-que-achava-falar-com-irmao-morto.htm